“Muito prazer, meu nome é Zaia”

Por Gustavo Henrique Medeiros

Enquanto a Bolsa de Nova York quebrava, gerando uma enorme crise econômica mundial, nascia, no ano de 1929, Izael Gonçalves Coutinho, filho do casal Manoel e Amélia, já com o seu 12º filho. Hoje, com 89 anos, completamente lúdico e adepto de uma boa prosa, com direito a um cafezinho com cravo, Zaia é uma celebridade buziana, ou melhor, patrimônio histórico cultural de Armação dos Búzios. Figura muito querida, Zaia atravessa um momento bastante delicado: ficou, de repente, viúvo de Amélia, sua “ eterna parceira “, que está deixando muitas saudades. Vinte quatro horas assistidos por parentes e amigos, Zaia seguiu a profissão do pai. Foi pescador e até morou fora de Búzios uns tempos devido ao trabalho: era contramestre de um barco ancora na capital.

Com muitos netos e bisnetos, Zaia segue a vida, sempre dispostos a contar um pouco de sua história que é, demasiadamente, interessante. Depois de deixar a capital, Zaia e Amélia retornaram a Búzios e compraram um imóvel, de nº 50 da Travessa dos Pescadores, no centro.  A partir daí, o casal decidiu seguir o conselho de duas alemãs turistas, hospedagem em Pousada, de que a casa deveria ser totalmente revestida de conchas.

E assim foi feito, mais de 20 anos juntando conchinhas nas praias, sacos e mais sacos, até completar os 50 metros quadrados do imóvel todos de conchas, super bem colocados e agrupados. Tanto que hoje, a casa de Zaia e Amélia é uma atração turística. Com isso, ele tornou-se uma celebridade, uma referência. Recentemente, o cineasta argentino Horácio Grinberg gravou entrevistas com Zaia que vai fazer parte de seu documentário longa metragem que já está em fase de produção. Horácio vai contar a história do argentino Mario Paz, que transformou a sua sala de cinema, o Gran Cine Bardot, em referência mundial do cinema, onde acontece anualmente, o Búzios Cine Festival, em sua 24ª edição.

Pai de cinco filhos – só quatro vivas (uma faleceu), todas com inicial M nos nomes, Marizete, Mariléia, Marise e Marcia, Zaia admite já ter ganhado muito dinheiro em Búzios, ocasião que foi comerciante, dono de um bar, ao lado da casa:

– Era uma mistura de cachaça, mel e limão. Como vendia. Como ganhei dinheiro. Um detalhe: para misturar, usava uma varinha de bambu. Aquela época era muito boa. Na mesma ocasião, funcionava na minha Rua, uma boate de um argentino. Era grande a rotatividade de clientes – conta Zaia, que teve participação ativa no processo que emancipou Búzios, chegando até, a viajar para a capital do País, Brasília. Zaia tem muitos amigos. Um deles, é o ator e empresário Mário Paz, proprietário da Pousada Vila do Mar e do Gran Cine Bardot:

– Ele nunca me ganhou nas damas. Um grande amigo até hoje. Parte da minha casa foi construída com material de refugo das obras de Mário. Acompanhei todo o processo de construção do Cine Bardot e já recebi, em minha casa, atrizes globais como Fernanda Lima – conta, animado, Zaia.

Figura certa de encontrar todas as manhãs e no final da tarde, debruçado em seu portão, emoldurado de conchas na Travessa dos Pescadores. Conversar com ele, ouvir um pouco de sua história, rir dos “ causos “ e degustar um bom café com cravo, é um enorme privilégio. Viva Zaia!