Pesquisa mostra que empresas de moda praia de Cabo Frio e Búzios inovaram e aumentaram faturamento em meio à recessão

Foto: Gustavo Henrique Medeiros | Modelo: Cacau | Praia dos Ossos Búzios

Embora o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tenha acabado de registrar que o Brasil está vivendo a pior recessão da história, os empresários de moda praia conseguiram dar um drible na crise econômica e entrar 2017 com um cenário animador. Uma pesquisa realizada pelo Sebrae/RJ com 91 empresas da região mostrou que de 2013 até 2017, enquanto o país encolheu, as indústrias de Cabo Frio e Búzios investiram em inovação, buscaram novos mercados, apostaram em sustentabilidade e colheram aumento de faturamento. Em 2013, 62,7% das empresas faturavam até R$ 300 mil por ano e apenas 20,8% de R$ 300 mil a R$ 1 milhão. Havia ainda um grupo de 15% que não sabia informar seu faturamento. Atualmente, 56,4% ultrapassaram o teto dos R$ 300 mil, sendo que 13% delas romperam a casa de um milhão (contra 1% em 2013) e 8,7% arrecadaram mais de R$ 2,4 milhões.

Na avaliação de Ana Claudia Vieira, coordenadora do Sebrae na Região dos Lagos, o resultado é fruto de um processo de profissionalização do segmento, que incluiu capacitação, boas práticas em gestão, marketing e ações de acesso a mercados. Desde 2007, o Sebrae promove na região, em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), um programa de Arranjo Produtivo Local (APL) de Moda Praia, que incluiu desde cursos para os gestores até visitas a feiras internacionais e a criação de uma marca única para o Polo. “Os empresários agarraram essa oportunidade e implementaram mudanças profundas em suas empresas. Por toda a evolução que vimos acontecer, não podíamos esperar um resultado diferente. Empreender é evoluir sempre, apostar em mudanças, se capacitar, correr risco e se preparar para um mercado tão competitivo”, disse Ana Cláudia.

A pesquisa mostra que mesmo na crise, 63% dos empresários apostaram em inovação. Os principais investimentos foram voltados para equipamentos, capacitação de pessoal e produção e novas instalações. Outra mudança diz respeito à sustentabilidade. Em 2013, a ação mais sustentável que praticavam era contratação de pessoal local. Hoje, 69% fazem tratamento de resíduos, prática não realizada por nenhuma das empresas em 2013. Houve ainda crescimento de muitas outras iniciativas: 87% das empresas adotam medidas de controle ao desperdício de água e energia (79% em 2013); 60,9% fazem controle de degradação de meio ambiente (45% na época); 56,5% participam de ações voluntárias (26,4% em 2013); e 34,8% fazem coleta seletiva de lixo (11% em 2013), entre outras ações.

Outra mudança importante foi na política de acesso a mercados. Segundo Ana Claudia, as empresas passaram a exportar mais e a conquistar novos clientes no Brasil. “Promovemos a ida dos empresários a feira em Londres, Paris e Milão. Também visitamos confecções no Rio e São Paulo para eles observarem a produção, e fazerem contatos. Além disso fizemos encontros com compradores de outros estados. Foi um processo muito rico “, explicou.

Hoje 36,4% das empresas estão exportando, contra 17,6% em 2013. Houve também um aumento da demanda local por produtos de moda praia (39,1% em 2017 contra 2,2% em 2013) e das vendas para outros estados do Sudeste (34,8% hoje e 3,3% em 2013). De acordo com a pesquisa, as empresas também mudaram sua maneira de comprar, a fim de otimizar seus investimentos. Se em 2013, apenas 47,3% das empresas compravam direto do fornecedor, hoje isso é uma realidade para 73,9% das empresas. Outra mudança interessante diz respeito à programação das entregas por dia, semana ou mês. Apenas 2,2% adotavam essa prática. Hoje são 30,4%. Além disso, 13% das empresas já fazem compras conjuntas e outras 45% têm interesse em participar dessa iniciativa.

O marketing também sofreu mudanças: 71% das empresas utilizam material promocional e a internet é o principal veículo, concentrando 56% das ações., seguidas de folders e cartazes. “As empresas mudaram sua forma de atuação em diversos setores. Da gestão de estoque até o atendimento no ponto de venda, passando pelo marketing, pela maneira de comprar. Ficamos muito satisfeitos de ver o resultado positivo desde trabalho”, disse Ana Claudia.

A pesquisa será apresentada nesta quinta-feira, 16, no evento Empreendendo Moda, promovido pelo Sebrae/RJ no Green Hotel (Av. Teixeira e Souza 1056, Centro), a partir de 17h30, para debater as tendências do segmento com empreendedores locais. Participam do debate André Carvalhal, que por 10 anos esteve à frente do marketing da Farm, e Pedro Salomão, criador da Rádio Ibiza. Carvalhal e Salomão vão falar sobre suas experiências e a importância de se preparar para mudanças.

Por Gustavo Henrique Medeiros